quinta-feira, 3 de março de 2011

O "segundo" a gente nunca esquece...


Tinha 19 anos e o fato de já morar sozinha na capital do país trazia à boca um gosto a mais de liberdade... um paladar que lembrava o sabor de "conquista a América"... revolucionário e cheio de si...

O primeiro passo já havia sido dado há quase um ano e o tornozelo esquerdo já ostentava uma tribal que meu pai acreditava que sairia com o tempo... Não saiu e hoje já existem mais 5 estrelinhas que fazem companhia colorindo mais uma parte do meu corpo...

Chegara a hora e resolvi então furar mais um buraco na orelha. Não havia tanta tecnologia (velha é a vovozinha, devo ressaltar!), pelo menos não na farmácia que fui, onde o farmacêutico (ou seria só balconista??) fez uma pontinha afiada com uma espécie de lima no próprio brinco e mandou ver, assim na bruta, na minha pobre e indefesa orelhinha... Doeu. Pra caramba! Mas lá estava ele: um brinquinho de bolinha prata lindinho, pontuando mais um adorno em mim... Saí da farmácia realizada e aquele mesmo gosto de liberdade voltara a habitar minha boca...

Não durou muito. Dias depois esse gosto foi substituído por alguma coisa menos glamurosa e mais, bem mais dolorida... meu brinquinho novo havia infeccionado e por mais que eu tentasse (e eu tentei muito!), não teve jeito: tive que tirar e deixar meu lindo buraco cicatrizar... e entupir. O gosto agora era de frustração.

Ficou uma pequena cicatriz que teimava em me lembrar durante todos esses anos que minha tentativa havia se frustrado, até que a oportunidade voltou e resolveu trazer a coragem com ela, felizmente.


Mês passado (junto com outras três amigas-loiras-guerreiras), decidi repetir a dose, dessa vez em uma farmácia que tem um revolverzinho muito do simpático e eficiente, que mal me deixou pensar se doeria de novo ou não. Doeu. Bem menos, mas doeu. E aqui estou eu deixando brilhar, pra quem quiser ver, o brinquinho novo de pedrinha que vai morar por aqui uns tempos até q possa ser trocado pra fazer um par coerente com seu vizinho...

Adorei.

Um comentário:

  1. Bom, o primeiro nem me lembro era uma inocente bebê, mas o segundo realmente concordo com você, não esquecemos! Talvez por ser um acessório a mais ou por vim em um momento que buscamos nossa liberdade, seja no profissional, sentimental, seja na conquista de novas amizades ou mesmo para olharmos no espelho e dizer: sou ÚNICA.
    Abraços

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